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Em razão da grande complexidade e diferenças encontradas no TEA de uma criança para outra, existem diferentes tipos de intervenções utilizadas no mundo, ao ponto de diferentes intervenções serem utilizadas em diferentes regiões de um mesmo país. No entanto, existe um consenso na comunidade científica em relação a alguns critérios fundamentais.
O primeiro critério é a implementação precoce, isto é, que a intervenção seja introduzida o mais breve possível no momento da confirmação do diagnóstico, principalmente quando o diagnóstico foi confirmado nos primeiros 24 meses de vida. Isso vale para a constatação de casos com forte suspeita de TEA (mesmo sem diagnóstico fechado no momento da avaliação), devendo-se aprofundar a avaliação e o acompanhamento sistemático. Essa detecção é comprovada através de instrumentos de triagem específicos, eficazes do ponto de vista científico para esse propósito.
O segundo critério seria que a intervenção indicada seja baseada em técnicas que tenham um número aceitável de estudos, de preferência "padrão ouro", cujas evidências científicas comprovem a sua eficácia.
Quando se indica uma determinada intervenção para o tratamento de crianças com TEA, além dos critérios mencionados, outros aspectos devem ser considerados, como: nível de funcionamento da criança (nível de inteligência, quando possível avaliar), idade do diagnóstico, tempo decorrido desde o diagnóstico até a indicação da intervenção, presença de outros transtornos associados e nível de linguagem.
Também devem ser analisados a estruturação familiar e o acesso às intervenções por parte da família (item a ser seriamente considerado na nossa realidade). O ideal é que o tratamento seja realizado por uma equipe interdisciplinar. O conjunto desses aspectos faz com que o tipo de intervenção a ser implementada tenha um caráter individual e personalizado. Entre as intervenções e tratamentos destacaríamos:
- Análise do Comportamento Aplicada (ABA):
É a intervenção com o maior corpo de evidências de eficácia. Envolve o ensino sistemático de habilidades e a redução de comportamentos desafiadores. As vertentes atuais, chamadas Naturalistas (NDBI), aplicam os princípios da ABA de forma lúdica e no contexto natural da criança (brincando), aumentando a motivação e a generalização. No ABA é essencial a intensidade (15 a 20 horas ou mais), adaptada à realidade da família e da criança para se obter os melhores resultados.
- TEACCH (Ensino Estruturado):
Foca na organização física do ambiente e no uso de rotinas visuais para promover a autonomia. Utiliza os pontos fortes visuais das pessoas com TEA. A avaliação para este método costuma usar o perfil PEP-3 (Perfil Psicoeducacional), permitindo programas individualizados.
- PECS (Sistema de Comunicação por Troca de Figuras):
Desenvolvido por Bondy & Frost, é padrão-ouro para crianças não verbais ou com fala pouco funcional. Ao contrário do mito, o PECS não inibe a fala; estudos mostram que ele organiza a comunicação e reduz frustrações e comportamentos agressivos, servindo muitas vezes como "ponte" para a fala verbal.
- Integração Sensorial:
Essencial para crianças com desregulação sensorial, pode ser feita no contexto da terapia ocupacional. Visa ajudar o cérebro a processar adequadamente os estímulos (tato, movimento, som), melhorando a atenção e o comportamento adaptativo.
Orientação Nutricional: além das restrições alimentares (seletividade alimentar), as quais podem levar a déficits nutricionais importantes, crianças com TEA podem apresentar sintomas gastrointestinais, como: constipação, diarréia, dor abdominal, doença inflamatória intestinal, intolerância alimentar, ante as quais a orientação de um nutricionista vai ser fundamental.
- Não poderíamos deixar de mencionar o papel importante do acompanhante terapêutico (AT). Trata-se de um profissional que atua nas áreas de saúde e educação, auxiliando o terapeuta, equipe multidisciplinar ou professor em sala de aula. Sabemos das dificuldades que as crianças com TEA têm em relação à interação social e comunicação, que, não raro comprometem as atividades pedagógicas, sociais, além da presença de comportamentos disfuncionais (principalmente em sala de aula).
Quando utilizar o tratamento farmacológico (medicações)?
É fundamental esclarecer: não existe um fármaco (medicação) específica para curar o TEA (para tratar os sintomas centrais de comunicação e socialização). Não há uma "pílula para a fala" ou para a interação social.
No entanto, o tratamento farmacológico é frequentemente indicado para tratar comorbidades (doenças associadas) e/ou sintomas-alvo que causam sofrimento à criança ou impedem o progresso das terapias comportamentais.
Quando a medicação é indicada? A decisão é sempre individual, mas geralmente considera-se o uso de fármacos quando há:
Quais são as medicações mais utilizadas? Baseado em evidências científicas e aprovações de órgãos reguladores (como FDA e ANVISA):
Nota: Toda medicação exige acompanhamento médico rigoroso para ajuste de dose e monitoramento de efeitos colaterais (como ganho de peso ou sonolência).
REFERÊNCIAS:
AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Identification, Evaluation, and Management of Children With Autism Spectrum Disorder. Pediatrics, v. 145, 2020.
BANDIM, J.M. Transtornos do espectro do Autismo: Uma Abordagem Prática. Recife: Bagaço, 2023.
HIROTA, T. et al. Psychopharmacology for Autism Spectrum Disorder: Systematic Review. JAMA Pediatrics, 2023.
GOMES, F. et al. Pharmacological treatment of irritability, aggression, and self-injury in ASD: A systematic review. European Journal of Paediatric Neurology, v. 45, 2024.
JOBHS, A. et al. Melatonin for sleep disorders in children with neurodevelopmental disorders. Cochrane Database Syst Rev, 2023.
SANDBANK, M. et al. Determining Associations Between Intervention Amount and Child Outcomes... JAMA Pediatrics, v. 178, 2024.
COLLINS, I. M. et al. A Meta-Analysis of Applied Behavior Analysis-Based Interventions... Review J. Autism Dev. Disord., 2025.
FUENTES, J. et al. ESCAP practice guidance for autism. Eur Child Adolesc Psychiatry, v. 30, 2021.
SCHOPLER, E. et al. The TEACCH Approach. Springer, 2005.
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