Transtorno do espectro do autismo (TEA)

icone O que causa o TEA?

Atualmente não existem evidências científicas que apontem para uma única causa para o TEA. O TEA é um transtorno chamado multifatorial, que resulta da combinação complexa entre fatores genéticos e fatores ambientais.

Diante das evidências produzidas pelas inúmeras investigações científicas, não podemos falar em um único fator causal determinante do TEA e sim numa combinação de fatores genéticos e ambientais, ou seja, trata-se de um transtorno multifatorial.

Não obstante, o TEA apresenta forte influência de fatores de natureza genética, os quais apresentam mecanismos complexos, tanto em relação à herdabilidade como em relação aos tipos de alterações genéticas propriamente ditas, isto é, quando falamos dos genes que fazem parte do nosso já complexo código genético (genoma).

Para se ter uma ideia dessa complexidade, quando falamos de alterações genéticas no TEA, já foram identificados centenas ou milhares de genes implicando em variantes herdadas, mutações e variantes raras na população, bem como, algumas doenças genéticas relacionadas ao TEA. Estudos recentes indicam que a herdabilidade do TEA gira em torno de 80% a 90%. Os genes relacionados ao TEA podem envolver variantes herdadas dos pais ou mutações que cientificamente chamamos de "de novo" (que ocorrem apenas na criança, sem que os pais tenham a alteração genética que seja transmitida).

Os fatores genéticos não agem sozinhos, podendo ser influenciados ou catalisados por fatores ambientais. Para alguns fatores de risco ambientais já existem um número considerável de evidências científicas comprovando sua influência, enfatizando que estamos falando de fatores de risco, ou seja, fatores com maior probabilidade de interagirem com os fatores genéticos, sem relação causal absoluta (em outras palavras, 100% de probabilidade de causarem o TEA) caso estejam presentes. Entre os fatores de risco ambientais mais relevantes, podemos citar:

  • Uso de determinados fármacos durante a gravidez (com risco muito aumentado para o ácido valproico, medicação usada para o tratamento de epilepsia ou como coadjuvante no tratamento do transtorno bipolar).
  • Idade avançada dos pais (mães com mais de 40 anos e pais com mais de 50 anos).
  • Bebês prematuros (abaixo de 32 semanas): bebês prematuros têm 3 a 4 vezes mais risco de desenvolverem TEA do que bebês nascidos a termo da população geral, segundo alguns estudos de acompanhamento voltados para o desenvolvimento.
  • Baixo peso ao nascer (menor que 1500g).
  • Intervalo entre uma gravidez e outra menor que 12- 24 meses.

Nota: Vacinas não causam autismo. Essa hipótese já foi refutada por incontáveis estudos globais nas últimas duas décadas.citar:

REFERÊNCIAS:
BANDIM, J.M. Transtornos do espectro do Autismo: Uma Abordagem Prática. Recife: Bagaço, 2023.

MKHITARYAN, M. et al. Unraveling the Genetic and Environmental Risk Factors of Autism. Journal of Personalized Medicine, v. 15, 2025.

BAI, D. et al. Association of Genetic and Environmental Factors With Autism. JAMA Psychiatry, v. 76, 2019.

MODABBERNIA, A. et al. Environmental risk factors for autism: an evidence-based review. Molecular Autism, v. 8, 2017.